Guia HIPRO · 2 de 5
Protocolos de HIPRO: face, papada e corpo, passo a passo
Da triagem à execução: preparo da área, as três manobras fundamentais, planejamento vetorial, adipometria, fotodocumentação e os parâmetros de referência de cada região anatômica. Convertido do e-book técnico do fabricante.
Todos os parâmetros abaixo são faixas de referência clínica e devem ser modulados conforme a tolerância e a anatomia observadas. Nunca inicie sem confirmar a ausência de contraindicações absolutas. A triagem é responsabilidade do profissional.
Triagem, avaliação e preparo
A consulta de avaliação é parte do protocolo, não um preâmbulo administrativo. Nela se define a elegibilidade e a dosimetria, e se alinha a expectativa do paciente ao tempo biológico do tecido.
- Triagem rigorosa. Investigar histórico patológico, implantes metálicos, marcapasso, anticoagulantes, isotretinoína oral e procedimentos prévios: preenchimentos de ácido hialurônico, toxina botulínica, fios e bioestimuladores.
- Exame físico e classificação tecidual. Palpação do tônus dérmico, teste de pinçamento, vetorização gravitacional e medida da prega de gordura com adipômetro milimetrado.
- Consentimento esclarecido. O HIFU produz um lifting biológico progressivo, com pico entre 90 e 180 dias; não é um facelift cirúrgico.
- Assepsia. Remover maquiagem, filtro solar e oleosidade com demaquilante suave e sabonete neutro; secar com gaze.
- Acoplamento acústico. Camada uniforme de gel condutor neutro em toda a área demarcada. O gel elimina o ar entre o cabeçote e a pele e evita queimaduras por reflexão.
- Proteção dentária. Em pacientes com próteses, coroas metálicas ou implantes, gaze dobrada ou rolete de algodão entre a gengiva e a bochecha para dispersar reflexões e reduzir o desconforto periosteal.
- Disparo teste e calibração. Antes do tratamento, disparos teste em pequena área para verificar a sensibilidade individual. Checar a integridade da membrana e o funcionamento do cristal, procurar bolhas e calibrar com a manopla voltada para baixo, em movimentos circulares, até reabsorvê-las.
Técnicas de aplicação e manobras
A aplicação se baseia na varredura contínua, associada a manobras de tração tecidual com gaze que otimizam os vetores de sustentação. Três movimentos cobrem todos os protocolos.
| Movimento | Execução | Objetivo |
|---|---|---|
| Circular | Círculos com deslocamento progressivo, sem concentrar a emissão no mesmo ponto. Indicado em áreas de maior volume, como região periumbilical e culote. | Compactação de gordura |
| Látero-lateral | Deslizamento paralelo e contínuo da linha média para as laterais, nos dois sentidos. | Modelagem do contorno |
| Ascendente | Deslizamento de baixo para cima, acompanhando os vetores antigravitacionais e as linhas de Langer. | Ancoragem e sustentação |
Manobra de ancoragem. Como a pele está saturada de gel, a mão não dominante usa uma gaze seca entre a luva e a pele. A gaze dá o atrito necessário para tracionar firmemente a derme nos vetores desejados (ancoragem zigomática, temporal, frontal ou malar) sem escorregar. A gaze nunca fica entre o aplicador e a pele; permanece só sob os dedos de ancoragem.
Acoplamento ortogonal. O cabeçote fica estritamente perpendicular à pele, a 90°. Inclinações dispersam energia e criam risco de queimadura por refração acústica.
Velocidade constante. O transdutor permanece em deslocamento contínuo durante a emissão. Nunca mantê-lo parado no mesmo milímetro, para evitar superposição excessiva de TCPs.
Lógica de base dos tratamentos corporais
Abdômen, flancos, costas, braços, gordura infraescapular, coxas, joelho e sulco infraglúteo seguem a mesma lógica: em geral três profundidades por região, 13, 11 e 9 mm, com complemento opcional de 6,0 mm para peles muito flácidas, finas ou craqueladas. Os disparos por profundidade e quadrante variam de 2.000 a 3.000: na régua de 10 × 40 cm, 3.000 quando o objetivo é compactar gordura e 2.000 quando é tratar flacidez.
- Áreas que pedem ancoragem e sustentação: movimentos em sentido único, ascendente.
- Áreas que pedem compactação: movimentos circulares dentro dos quadrantes, uniformes por toda a área.
- Áreas que pedem contorno modelado: movimentos centro-laterais, nas duas direções.
Planejamento vetorial facial
O ultrassom microfocado atinge a fáscia superficial e o SMAS. Ao imitar as linhas oblíquas e verticais do lifting cirúrgico, a termocoagulação entre 65 e 70 °C reposiciona os tecidos ptosados. A diferença entre uma aplicação linear simples e uma aplicação vetorizada está no planejamento prévio.
- Vetores de tração cirúrgica. Reproduzir os eixos de tração zigomática, temporal e trocantérica da ritidoplastia, sem incisão.
- Ancoragem em ligamentos. Os ligamentos de retenção fixam derme e SMAS ao periósteo. Concentrar TCPs nessas raízes (gálea, TLA, LOT, ZL, ML) restaura o suporte antigravitacional.
- Eficácia vetorial superior. Disparos vetorizados e ancorados superam a técnica linear: contorno mandibular mais nítido, elevação do terço médio e lifting mais duradouro (Mendelson et al.; Alam et al.; Cotofana et al.).
Avaliação corporal e adipometria
O tratamento corporal exige classificar a queixa entre flacidez predominante e adiposidade localizada com flacidez associada. A medida da prega com adipômetro converte uma impressão visual em parâmetro de dosimetria.
- Prega ≤ 1,2 cm: flacidez predominante. Espessura adiposa delgada. Protocolo restrito a profundidades microfocadas de ancoragem, 4,5 e 3,0 mm, evitando atrofia gordurosa indesejada.
- Prega > 1,2 cm: adiposidade com flacidez. De 4,5 a 13 mm, associando profundidades macrofocadas profundas e microfocadas intermediárias, para reduzir volume e firmar ao mesmo tempo.
- Regra da metade da prega. A maior profundidade escolhida deve corresponder, no máximo, à metade da prega medida, usando a profundidade operacional imediatamente abaixo desse valor. Prega de 30 mm → metade 15 mm → profundidade máxima 13,0 mm, completando com 11,0 e 9,0 mm.
Demarcação em quadrantes. A região é dividida em quadrantes padronizados de 10 × 40 cm (400 cm²). Macrofocada profunda: circular, compactação. Macrofocada intermediária: látero-lateral, contorno. Microfocada ou macrofocada superficial: ascendente, ancoragem dérmica.
Fotodocumentação padronizada
Sem padronização não há comparabilidade. A fotografia clínica registra fatos reproduzíveis, e em um tratamento que se consolida em 180 dias ela é o único instrumento capaz de demonstrar a entrega. Ela neutraliza o viés da habituação (o paciente se acostuma com a melhor versão e esquece os traços anteriores), elimina variáveis de luz, foco e ângulo, documenta o resultado e resguarda a clínica.
Câmera em ponto fixo e paciente em rotação controlada: 0°, 45° e 90° para cada lado, com a mesma distância, enquadramento, fundo neutro e configurações de câmera.
Protocolos faciais
Nenhum protocolo deve ser executado sem o mapeamento anatômico da região e o conhecimento das zonas de exclusão (veja o guia de segurança).
Pescoço e papada
Objetivo: sustentar as bandas platismais e reposicionar os tecidos da região cervical lateral, com neocolagênese na derme reticular e na fáscia superficial; compactar e reposicionar os coxins adiposos, ancorar o SMAS, redefinir o contorno mandibular e combater o jowl.
| Profundidade | Disparos por lado | Energia |
|---|---|---|
| 6,0 mm | 1.350 | 2 J |
| 4,5 mm | 1.500 | 2 J |
| 2,5 / 3,5 mm | 1.700 | 2 J |
| Total | 9.100 |
Comece sempre da profundidade maior para a menor. A primeira varia com o volume: 8,0 mm para grande volume de gordura, 7,0 mm para volume moderado e 6,0 mm quando predomina flacidez. Começando em 8,0 mm, siga para 6,0 mm e finalize em 3,5 ou 2,5 mm conforme a flacidez: quanto maior a flacidez, mais indicadas as profundidades superficiais.
- Movimento ascendente do centro da papada à região pré-tragal. Aplicador a 90° no centro da papada, sem apoiar em proeminências ósseas. Dispare e deslize em movimento único e contínuo, contornando o ângulo mandibular até 1 cm à frente do trágus. Solte o acionamento, volte ao centro sem disparar e repita no mesmo sentido. Na papada, os disparos ficam acima do osso hioide.
- Movimento em leque da região retroauricular ao centro da papada e à lateral do pescoço. Aplicador a 90° na região retroauricular, primeiro vetor ao centro da papada e os demais à lateral do pescoço até a fossa clavicular, em ida e volta pelo mesmo vetor. Não dispare sobre proeminências ósseas nem sobre a tireoide; a região central do pescoço é área de exclusão.
Terço médio
Objetivo: compactar e reposicionar os coxins malares, ancorar o SMAS, redefinir o contorno mandibular e combater o jowl.
| Profundidade | Disparos por lado | Energia |
|---|---|---|
| 4,5 mm | 1.350 | 2 J |
| 3,5 mm | 1.500 | 2 J |
| 2,5 mm | 1.700 | 2 J |
| Total | 9.100 |
Zona de risco, nervo marginal da mandíbula: faixa de segurança de 2 cm a partir da comissura labial; toda a superfície do aplicador fica fora dela nas profundidades de 2,0 a 4,5 mm.
- Marcação. Linha vertical 2 cm lateral à comissura, até a altura da asa nasal; daí, prolongar lateralmente pelo contorno inferior do zigomático, com leve inclinação ascendente até a linha capilar.
- 4,5 mm, vetorial ascendente (1.350). Da marcação, movimento único e contínuo até acima do trágus, de 1 a 2 dedos para dentro do couro cabeludo, nos ligamentos de sustentação. Interrompa, volte sem disparar, repita por toda a região. Sem disparos sobre proeminências ósseas.
- 3,5 mm, vetorial ascendente (1.500). Mesma origem, trajeto até a altura do canto dos olhos, junto à linha capilar.
- 2,5 mm, vetorial ascendente (1.700). Repetir o trajeto até acima do trágus, nos ligamentos de sustentação.
Região perioral
Objetivo: rítides periorais e estímulo da derme peribucal. 1,5 mm, 1.200 disparos por lado (2.400 no total), 2 J.
Técnica em “C”. Com gaze seca na mão não dominante, tração suave a moderada da região zigomática e malar superior no sentido súpero-lateral, mantida durante o disparo. Inicie abaixo da comissura, contornando a linha de marionete; deslize em arco contínuo em “C”, contornando a comissura e subindo lateral ao sulco nasolabial até a base da asa nasal; inverta suavemente na asa nasal e retorne. Vai e vem fluido, em velocidade homogênea, sem fixar a ponteira, até a cota do lado tratado. Gel homogêneo em toda a área do “C”, área seca sob a gaze. Proteção dentária com gaze intraoral sobre incisivos e caninos.
Pálpebras superior e inferior
Objetivo: elevar a cauda da sobrancelha, retrair a pele palpebral redundante, atenuar bolsas malares e suavizar rítides perioculares. 2,0 mm (500 por lado) e 1,5 mm (500 por lado), 2.000 no total, 0,5 a 1,5 J, iniciando em 0,5 J e progredindo conforme a tolerância e a espessura da pele.
- Demarcação. Linha média pupilar para preservar o forame supraorbital. Disparos exclusivamente sobre o rebordo ósseo orbitário, supra e infraorbital; nunca dentro da cavidade orbitária nem em direção ao globo ocular.
- Pálpebra superior. Gaze na cauda e no centro da sobrancelha, tração centro-lateral e superior, elevando o tecido sobre a crista óssea. Aplicação sobre o rebordo no sentido centro-lateral ascendente; interromper, voltar sem disparar e repetir.
- Pálpebra inferior. Gaze sobre a região zigomática, tração centro-lateral com curva descendente, estabilizando a pele sobre a borda óssea inferior. Aplicação sobre o rebordo no sentido centro-lateral ascendente.
Protocolos corporais
Três perfis de paciente guiam os movimentos; a adipometria guia as profundidades. As regiões compartilham a mesma base e diferem na marcação e nos limites anatômicos.
- Perfil A, flacidez isolada: movimentos ascendentes em todas as profundidades.
- Perfil B, flacidez com gordura: circular na profundidade maior, látero-lateral na intermediária, ascendente na superficial.
- Perfil C, gordura predominante: circular em todas as profundidades.
Regra geral: 13, 11 e 9 mm, complemento opcional de 6,0 mm para peles muito flácidas, finas ou craqueladas, 2 J. Máximo de 3.000 disparos por profundidade e quadrante para compactar gordura; 2.000 para flacidez. Marcação uniforme e respeito à anatomia e ao conforto do paciente.
Colo
6,0 → 4,5 → 2,5 mm, 2.000 disparos por quadrante e profundidade, 2 J, todos ascendentes, da região central à clavicular. Interromper ao fim do trajeto, voltar sem disparar e repetir. Não disparar sobre a região central nem sobre as glândulas mamárias. A sequência vale para tecidos de menor e maior densidade; o que muda é a energia tolerada e a velocidade.
Abdômen
13 mm circular → 11 mm látero-lateral → 9,0 mm ascendente, 2.000 a 3.000 disparos por quadrante e profundidade, 2 J; 4ª etapa opcional em 6,0 mm (2.000) para peles flácidas, finas ou craqueladas. Dividir em 4 quadrantes a partir do meio do abdômen (superior e inferior, esquerdo e direito). Manter 2 cm do umbigo.
Abdômen HD
Técnica de acabamento que cria efeito de sombra e luz sobre o contorno muscular. Só em pacientes com baixo percentual de gordura; hidratação e exercício potencializam o resultado. 13,0 mm, 1.500 disparos por vetor, 2 J, movimento extra lento no sentido da marcação, em vai e vem, com pressão leve e contato total.
Flancos
Mesma sequência do abdômen (13 circular, 11 látero-lateral, 9 ascendente, 6,0 opcional), 2.000 a 3.000 por quadrante. Respeitar 3 cm da coluna vertebral; 2 quadrantes por lateral, até a linha média lateral.
Gordura do sutiã
Mesma sequência dos flancos. Marcar a região infraescapular e anterior; na lateral, aplicar só até a metade das primeiras costelas, abaixo das axilas. Não disparar sobre a região axilar nem sobre a mamária.
Braços
Mesma sequência, 2 quadrantes (braço esquerdo e direito), marcação só no tríceps, do cotovelo à axila. Cuidado com os linfonodos axilares.
Coxa anterior e posterior
Mesma sequência, movimentos lentos para melhor entrega de energia. Cada coxa em 2 quadrantes, superior e inferior, nas faces anterior e posterior.
Joelho
Mesma sequência, com o perfil de movimentos A, B ou C conforme o tipo predominante. Área acima do joelho, um pouco menos da metade da coxa, incluindo as laterais. Sem aplicação sobre proeminências ósseas.
Flacidez de glúteo
13, 11 e 9 mm (6,0 opcional), 2.000 disparos por quadrante e profundidade, 2 J. Começar da região lateral com vetores transversais ascendentes para a medial; seguir com vetores da região inferior glútea para a trocantérica. Interromper ao fim de cada vetor, voltar sem disparar e repetir.
Sulco infraglúteo
13, 11 e 9 mm (6,0 opcional), 2.000 por quadrante e profundidade, 2 J, todos ascendentes e lentos. Em áreas restritas o quadrante é de 5 × 5 cm. Começar da metade do glúteo em direção ao culote, deixando margem de 3 a 4 dedos: essa faixa é a sustentação do glúteo e não deve ser tratada. Área: abaixo do glúteo até cerca de 1/4 da coxa, puxando levemente para a lateral até o culote.
Intervalos entre sessões
| Objetivo | Intervalo na mesma área |
|---|---|
| Corporal · gordura compacta | 15 dias |
| Corporal · gordura flácida | 30 dias |
| Facial · protocolos de gordura | 30 dias |
| Facial · protocolos de flacidez | 90 a 180 dias |
Conteúdo convertido do E-book HIPRO (INNOVE by Contourline, 2026), de uso exclusivo de profissionais certificados. O treinamento operacional incluído na locação não substitui formação profissional nem habilitação.
